Alessandro Lo-Bianco
Exclusivo

Globo admite internamente frustração com reestreia de Eliana

Avaliação é de que a ansiedade falou mais alto do que a estratégia, e que a expectativa criada pelo canal não foi verdadeira

Globo ficou 21 horas consecutivas no domingo sem liderar a audiência
Foto: Reprodução/Internet
Globo ficou 21 horas consecutivas no domingo sem liderar a audiência

O clima na reunião de avaliação da Globo, realizada na segunda-feira (13), foi de evidente frustração com a consolidação da audiência do retorno do programa de Eliana. Nos bastidores, a percepção predominante foi a de que a emissora poderia ter esperado o fim da Copa do Mundo antes de recolocar a atração na grade. Criou-se uma expectativa enorme em torno da volta da apresentadora, mas a estreia entregou um formato muito semelhante ao que o público já conhecia, justamente o oposto da renovação prometida. O entendimento interno é que a pressa acabou pesando mais do que a estratégia, e o resultado ficou aquém do esperado para uma faixa considerada decisiva na tabela comercial de domingo.

Os números reforçaram essa leitura. A Temperatura Máxima entregou cerca de 12,6 pontos, mas a audiência despencou durante o programa de Eliana, chegando a registrar 7,3 pontos em alguns momentos e encerrando a exibição com média de 8,5, em um cenário de empate técnico com o SBT em parte da faixa. Depois da atração, a Globo optou por exibir um segundo filme, dentro da sessão Campeões de Bilheteria, que elevou os índices para 9,7. Na sequência, Luciano Huck voltou a colocar a emissora acima dos dois dígitos, fechando em torno de 11,3 pontos. Internamente, a cobrança é clara: o domingo precisa permanecer acima dos 10 pontos durante toda a tarde, especialmente porque a faixa movimenta investimentos publicitários superiores aos do sábado, quando Marcos Mion vem sustentando picos entre 13 e 14 pontos.

O relatório discutido pelos executivos também apontou problemas de conteúdo. A abertura do programa, com Eliana lamentando a derrota da Seleção Brasileira e propondo uma mensagem de superação, foi considerada tardia, já que Luciano Huck havia explorado esse mesmo sentimento uma semana antes. Em seguida, a longa retrospectiva da Família Moreira provocou uma queda imediata de audiência que, segundo a avaliação interna, nunca mais foi recuperada. A entrevista com Susana Vieira também não conseguiu reverter o cenário, era tarde demais. A crítica predominante foi que a estreia prometia uma nova identidade, mas entregou exatamente a estrutura que parte do público esperava ver reformulada.

Outro ponto que gerou desconforto foi a condução editorial da atração. Nos bastidores, houve quem avaliasse que o programa assumiu um perfil excessivamente familiar, com elementos que lembrariam formatos já vistos em outras emissoras, inclusive com comentários de que a atração ficou “com cara de Record”. Também causou incômodo a influência atribuída à linha editorial defendida por Amauri Soares, considerada por alguns executivos incompatível com o perfil de variedade que o público associa a Eliana. A conclusão da reunião foi que os erros da estreia recaíram injustamente sobre a apresentadora, que acabou sendo a face mais visível de decisões estratégicas tomadas errôneamente, muito acima dela.