
Reality show tem prazo de validade. Acabam as provas, desmonta-se a casa, apagam-se as luzes e, em tese, cada participante volta para a própria vida. Juliano Floss parece ter entendido perfeitamente o roteiro. Jonas, ao que tudo indica, preferiu escrever outro. Não o da própria trajetória, mas uma espécie de spin-off em que o protagonista continua sendo Juliano. Há quem supere um confinamento; há quem transforme o ex-colega de elenco em residência fixa no pensamento obssessor.
O detalhe é que essa insistência deixa de ser apenas curiosa para ganhar contornos preocupantes ao surgir em meio a postagens homofóbicas dirigidas contra Juliano. Rir, debochar ou interagir com esse tipo de conteúdo não é exatamente a demonstração de maturidade que alguém espera de quem já saiu da casa mais vigiada do país, MUITO MENOS DE MASCULINIDADE, exceto aquela frágil que ele cansa de passar atestado.
Parece aquele aluno da quinta série que, meses depois do fim do ano letivo, ainda procura o antigo colega no recreio para provocar e fazer a prática de bullyng que extrapola o portão da escola. A diferença é que, nas redes sociais, o recreio nunca toca o sinal para terminar. E quando não toca, pais e mães deveriam ser os responspaveis por passar valores para os filhos, valorres estes que parecem bem distantes da dignidade humana, e que certamente outros de sua dinastia continuarão a repetir o ciclo, como filhos, por exemplo.
Existe uma ironia difícil de ignorar. Em busca de atenção, Jonas acaba emprestando visibilidade justamente para quem aparenta querer atingir. Quanto mais insiste em manter Juliano no centro das próprias reações, mais transmite a impressão de que não conseguiu abandonar um jogo que o público já encerrou faz tempo. Nção superou uma novem com a metade da idade dele. O confinamento acabou, mas, para alguns, a eliminação parece ter sido apenas geográfica. Já o recalque e a frustração se tornaram permanentes.
Talvez a verdadeira prova de resistência desta edição tenha começado depois da final. Não para Juliano, que seguiu construindo sua vida, mas para Jonas, que parece competir diariamente contra a própria incapacidade de virar a página. E existe um detalhe importante: rivalidade de reality pode até render memes; flertar com manifestações homofóbicas rende apenas um atestado de que o prêmio da maturidade continua nas mãos do Juliano, e não do Jonas, que até agora parece não entender o que fez o público o acertar com um bom chute na bunda, durante o paredão que o expurgou da casa. Enquanto marcas continuarem convidando esse cara para representar suas campanhas, a homofobia continua forte, velada, e em forma de entretenimento.