Tadeu Schmidt comanda o BBB
Reprodução/TV Globo
Tadeu Schmidt comanda o BBB


O BBB cometeu ontem uma enorme cagada no Sincerão, e não há eufemismo que dê conta disso. O que deveria ser um dispositivo narrativo de tensão entre jogadores se transformou numa verdadeira prova de resistência emocional para quem não assinou contrato algum: os familiares dos emparedados. Houve ali uma sucessão de erros editoriais que revelam um programa perdendo a mão justamente em um de seus quadros mais delicados.

O primeiro e mais grave equívoco foi colocar esses familiares no meio de plateias absolutamente polarizadas. Gente que foi ao estúdio torcer, gritar, hostilizar, defender seus favoritos sem qualquer filtro. O resultado foi cruel. A mãe da Aline, por exemplo, teve que ouvir xingamentos direcionados à própria filha vindos de pessoas sentadas logo atrás. Isso não é entretenimento, é constrangimento institucionalizado. Nenhuma mãe deveria ser submetida a esse tipo de violência simbólica em nome de audiência.


O segundo erro é quase didático de tão óbvio: familiares não deveriam estar ali no Sincerão. O lugar deles, se convocados, é na plateia de eliminação, no dia do paredão, cada um alocado nas suas respectivas torcidas. Aí sim a presença faz sentido narrativo e emocional. No Sincerão, não agregaram nada ao jogo, não interferiram positivamente na dinâmica e, pior, foram usados no momento errado. Nem eles próprios pareciam preparados para a forma como foram expostos ao vivo, ao lado de Tadeu, sem função clara além de sofrer calados. Tadeu, aliás, parecia um bobo da corte tentando forçar uma energia que perceptívelmente não habitava o ambiente.

A plateia é um recurso potente, mas precisa ser usada com inteligência. Em dia de eliminação, ela amplifica o drama, coroa trajetórias, tensiona despedidas. No Sincerão, virou ruído. E quando tudo vira ruído, o jogo perde clareza. O BBB parece esquecer que emoção sem propósito vira angústia, e angústia sem sentido não fideliza público, apenas desgasta.

Para completar a sequência de erros, o próprio rapaz responsável pelo voto afirmou que votaria por afeição, não por critérios. É a síntese do descontrole. O Sincerão, que deveria ser o espaço do confronto racionalizado, da exposição de argumentos, está escorregando para o campo do achismo emocional. O BBB sempre foi um jogo de sentimentos, sim, mas quando perde o método, perde também a credibilidade. Ontem, o Sincerão não foi sincero: foi desastrado.

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