Bebê Hena? A decisão de uma desconhecida ex-namorada de Juliano Floss, dos tempos da fralda, chamada Vivi Wanderley, de tornar públicas agora acusações justamente no momento em que ele enfrenta um paredão no BBB26 não pode ser analisada apenas pelo conteúdo, pois o timing grita mais alto. Em plena semana decisiva, quando o participante concentra atenção máxima do público no paredão, a exposição surge como um movimento que ultrapassa o campo da memória ou da necessidade de fala e entra diretamente na lógica do oportunismo midiático. Não se trata apenas de dizer algo, mas de escolher quando dizer, anos depois, e essa escolha, neste caso, parece tudo menos inocente. Por sinal, covarde, uma vez que o brother está confinado e não pode se defender.
Esse tipo de comportamento pode ser compreendido como uma tentativa de reocupação de espaço por meio do outro. A tentativa oportunista é clara: quando alguém próximo do passado passa a ocupar o centro dos holofotes, há sujeitos que não elaboram a perda desse lugar e buscam, de maneira indireta, retornar à cena sugando o holofote alheio. Mas aqui há um agravante: a fala não surge como elaboração, e sim como ataque em momento estratégico, convertendo a dor real ou não, em instrumento de visibilidade. O outro deixa de ser apenas um ex e passa a ser um meio, um trampolim para reconquistar atenção. Além disso, deve ser muito difícil pra moça ver o destaque do ex, que terminou a relação passada, no centro das atenções, sem ela.
Esse episódio leviano, e torno a dizer, oportunista, escancara uma prática cada vez mais recorrente na cultura da exposição: o sequestro de narrativas alheias em momentos de alta audiência. Inserir-se no ciclo midiático de alguém em evidência garante alcance imediato, engajamento e repercussão, ainda que às custas da integridade do outro. Quando esse movimento vem acompanhado de tentativas de atingir relações atuais e provocar conflitos externos com coisas de anos atrás, o que se desenha não é denúncia responsável, mas uma disputa explícita por protagonismo, onde vale tensionar, distorcer e incendiar para não ser ignorada.
Oportunismo não é apenas aproveitar uma brecha: é agir calculadamente sobre o momento de maior vulnerabilidade do outro. E é exatamente isso que o caso sugere. Ao transformar um paredão em palco para acusações e insinuações, desloca-se o foco do jogo para uma arena paralela, contaminada por interesses e mágoas pessoais. Em vez de contribuir para qualquer debate sério, o gesto reduz-se a uma tentativa de captura de atenção, marcada por levianidade e ausência de responsabilidade. Em um cenário já saturado de exposição, o mínimo que se espera é critério e, sobretudo, algum senso de limite. O público já percebeu e a coluna entrega a Vivi o que ela tanto deseja agora: atenção.