
Gente... Sei nem por onde começar, mas vamos lá: deveria haver um limite entre o carisma popular e a irresponsabilidade pública, porque estamos vendo isso ser ultrapassado. Quando alguém decide disputar um cargo de deputado sem conseguir explicar o que um deputado faz, não é simplicidade, mas um rebaixamento perigoso do debate democrático. Representação exige preparo mínimo, consciência institucional e compromisso com o coletivo. Ignorar isso é desprezo por todos nós.
O momento em que se pergunta sobre planos e a resposta é um sorrido de canto de boca com um “vou deixar em off”, é um soco no estômago que expõe um vazio difícil de disfarçar. Quem se apresenta ao público para ocupar um cargo político não pode pedir tempo depois de entrar no jogo. A ausência de proposta não é cautela, é falta. É não existência. E existência é o primeiro requisito de representação de qualquer candidatura que se pretenda séria.
As celebridades atuais, não todas, tentam converter a política em espetáculo. A visibilidade substitui a consistência, o improviso ocupa o lugar do planejamento, e o público é empurrado para um papel passivo, consumindo frases soltas em vez de projetos concretos. O ambiente de desinformação cresce e a exigência diminui, exatamente o oposto do que uma democracia precisa para se sustentar.
É preciso ser direto e reto, galera: quem não sabe o que vai fazer não deveria se candidatar. Não há espaço para improviso onde se decide o destino de milhões de corações reais. O mínimo esperado era outro mínimo de estudo e responsabilidade que não há, o mesmo esforço cotidiano que tantas pessoas anônimas sustentam com dignidade. Fora disso é só uma caneta sem tinta. E caneta sem tinta não escreve, não representa e não dá conteúdo para absolutamente nada. Só arranha e estraga o papel.
