
A TV Globo terminou estudos com conclusões nada prósperas para a programação dominical em torno do nome de Eliana. O canal decidiu aproveitar a Copa do Mundo para tirar a atração do ar, reformular completamente o formato até dezembro de 2026, e mais: retirar da grade fixa o programa da loira a partir de 2027, com a intenção de deixar Eliana por temporada no canal a partir de julho de 2027, quando seu contrato fixo, assinado por três anos, será encerrado no canal.
De acordo com o memorando conclusivo da Globo, fechado na última quinta-feira (4), o erro do canal foi apostar que a figura de Eliana, por si só, seria capaz de sustentar um formato convencional em pleno 2026. Não se trata de uma discussão sobre talento ou carisma. Eliana continua sendo uma das comunicadoras mais reconhecidas do país. O problema, segundo o estudo da Globo, está na embalagem. A emissora apostou em uma televisão que funcionava há vinte anos: entrevistas leves, histórias familiares emocionais e uma atmosfera de perfeição doméstica que já não encontra eco na realidade da maioria dos brasileiros.
Segundo o documento, enviado pelo setor de pesquisas e dados do canal para direção, "durante décadas, a televisão vendeu a ideia da família margarina: harmoniosa, previsível, sem conflitos profundos e com finais felizes garantidos. O problema é que esse modelo perdeu aderência social. As famílias brasileiras mudaram, os desafios econômicos se intensificaram e a vida real passou a ser muito mais complexa do que aquela retratada no programa", diz parte do trecho do departamento de inteligência do canal. O parecer segue adiante ao dizer que "quando a televisão insiste em exibir uma perfeição que o público não reconhece dentro de casa, o resultado costuma ser o distanciamento emocional da audiência.", conclui o relatório.
A segunda barreira enfrentada pelo programa, ainda segundo relatório interno da Globo, foi a insistência na ostentação como elemento de entretenimento. "Mansões gigantescas, rotinas luxuosas e celebridades exibindo um padrão de vida inalcançável já não despertam o fascínio automático de outros tempos". O trecho quer dizer, basicamente, que em um país onde boa parte da população convive com dificuldades econômicas, esse tipo de conteúdo parece desconectado da realidade pós anos 90, ou seja, o que antes era visto como sonho passou a ser percebido por muitos espectadores como exibição fútil e vazia.
Por isso, a Globo decidiu mudar a rota. A tendência é reforçar elementos de competição, participação popular e dinâmicas de game show até o fim do ano de 2026, quandio terminará a primeira temporada de Eliana aos domingos na Globo. A reestruturação, vista como emergencial no canal, baseia-se em formatos que criam envolvimento imediato, geram conversa nas redes sociais e oferecem ao público algo além da contemplação da vida alheia inalcancável.
O diagnóstico interno é claro: sem levar Ana Maria ao palco, ou sem entrevistas com nomes de peso, como Xuxa, transmitida neste último domingo, o programa não encontrou uma identidade compatível com o momento atual da audiência. E, sem essa conexão, a atração acabou morrendo na praia antes mesmo de consolidar seu espaço na grade da emissora. A ordem é que Eliana encontre formatos até 2026 pautados em games shows, e que entreguem larga premiação ao público, como feito por Celso Portiolli no Domingo Legal. Entrevistas para expor perfeições familiares com famílias Margarinas, ou entrevistas com vidas luxuosas e ostentadoras, algo considerado ultrapassado e cafona em 2026, não mais.
A coluna relembra e reafirma tudo que foi falado na última sexta-feira; a direção de contratos da Globo já foi sinalizada que o programa dominical de Eliana só ficará no ar até o término do ano, e que até julho de 2027, caso a apresentadora opte pela permanência na emissora, seu contrato será por obra, assim como Xuxa e Angélica. A coluna continua acompanhando os movimentos nos bastidores, e qualquer alteração ou nova negociação, atualiza tudo para vocês.
