
Após a primeira temporada do Globo Repórter com Sandra Annenberg e William Bonner, uma ampla pesquisa nacional foi encomendada pela TV Globo para medir exclusivamente a percepção do público sobre a nova presença do apresentador na atração. O levantamento foi encomendado porque havia, internamente, a sensação de que algo não fechava: apesar da expectativa de que Bonner representasse uma grande oxigenação para o programa, reforçada pela mudança de cenário e pela proposta de relançamento da marca, a audiência permaneceu praticamente inalterada e a repercussão nas redes sociais continuou muito abaixo do esperado.
A Globo, ao encomendar a pesquisa, buscava compreender por que o Globo Repórter praticamente deixou de gerar conversa nas plataformas digitais. Em uma das estratégias editoriais, a emissora apostou em pautas com forte potencial de debate, mais factuais, como machismo e misoginia, buscando criar recortes capazes de alcançar um público mais jamplo nas redes. Embora essas últimas edições tenham apresentado bom desempenho em métricas específicas nas redes, a conclusão interna foi de que isso não alterou a percepção geral sobre o programa nem mudou seu patamar de relevância digital na consolidação trimestral da atração.
A pesquisa trouxe um dado que surpreendeu a direção: perto de 70% dos entrevistados disseram não enxergar na presença de William Bonner um fator determinante para renovar ou tornar o Globo Repórter mais atrativo. A avaliação interna, inclusive, é de que o jornalista, apesar de sua enorme credibilidade à frente do Jornal Nacional, ainda não encontrou a mesma naturalidade no novo formato. Havia, inclusive, a expectativa inicial de que Bonner realizasse reportagens especiais e viagens, mas o projeto acabou tomando outro rumo e concentrou sua participação no estúdio.
Ainda segundo a apuração, a Globo já discute com William Bonner um trabalho de consultoria voltado especificamente para sua movimentação e linguagem dentro do estúdio do Globo Repórter. A emissora entende que, após mais de três décadas atrás da bancada do Jornal Nacional, o apresentador ainda demonstra rigidez na dinâmica exigida pelo programa, avaliação semelhante à que levou outros nomes, como Marcos Mion e Eliana, a passarem por treinamentos de adaptação quando chegaram a novos formatos na casa.
Apesar disso, a leitura da Globo é de que o Globo Repórter segue sólido como produto. O que a pesquisa colocou em xeque foi a expectativa de que a chegada de Bonner, por si só, representaria uma virada de audiência, repercussão e percepção do público, o que, até o momento, não ocorreu com o nome de peso do jornalista.
