Carol Lekker
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Carol Lekker

O afastamento de Carol Lekker do Fofocalizando nesta terça-feira (4), depois da repercussão da confusão envolvendo Eliana e da tentativa de inserir Patrícia Abravanel em uma rivalidade que sequer existia publicamente, pode encerrar um capítulo, mas está longe de resolver o problema. O episódio apenas escancarou um modelo de televisão que passou a premiar quem produz mais baixaria do que conteúdo. O constrangimento causado pelo caso pode até terminar com uma substituição na bancada, ou a suspensão por alguns dias, mas a engrenagem que produz esse tipo de comportamento continua funcionando exatamente da mesma forma. E aqui, eu falo para todas as emissoras.

Seria confortável reduzir toda a responsabilidade a uma única pessoa. Não seria correto. Há muito tempo a televisão brasileira vem ensinando que o caminho mais curto para o protagonismo é o escândalo. Gente que protagoniza cenas de extrema violência e agressividade em realities, que transforma o desrespeito em espetáculo e que faz da humilhação pública uma estratégia de visibilidade acaba sendo recompensada com espaço em programas de grande audiência. A mensagem transmitida é simples: quanto mais baixaria nos realities, maior a oportunidade. Depois, causa espanto perceber que alguns passam a acreditar que qualquer limite pode ser ultrapassado. A tragédia é e sempre foi anunciada.

Por isso, o episódio deveria servir de reflexão para as emissoras. Não basta lamentar o excesso depois que ele acontece. Quem escolhe colocar determinadas figuras em posições de enorme visibilidade também assume parte da responsabilidade pelos efeitos dessa decisão. A televisão exerce influência sobre quem a faz e sobre quem a assiste. Se o critério para ocupar uma bancada deixa de ser credibilidade, conhecimento e conteúdo, e passa a ser a capacidade de gerar repercussão, o resultado inevitável é a banalização do próprio ambiente jornalístico.

Nesse aspecto, cabe uma ironia inevitável: o SBT também precisa olhar para dentro, assim como as demais emissoras. É difícil imaginar um cenário em que Silvio Santos aceitasse transformar uma das cadeiras mais simbólicas do jornalismo de celebridades em prêmio por performances marcadas pelas famosas atitudes "pré-sal". Seu olhar sempre privilegiou comunicadores capazes de entreter sem destruir pontes dentro da própria emissora. Se hoje a empresa se vê obrigada a administrar um desgaste dessa dimensão, talvez esteja apenas colhendo as consequências de uma cultura que ela mesma ajudou a permitir.

O afastamento pode retirar um nome da tela, mas só uma mudança de mentalidade, em todas as emissoras, impedirá que outros, do mesmo jeito, ocupem o mesmo lugar repetindo exatamente o mesmo roteiro constrangedor.

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