Dupla Jorge & Mateus
Alisson Demetrio/ Divulgação
Dupla Jorge & Mateus


Chegou ao fim a disputa judicial envolvendo  a dupla sertaneja Jorge & Mateus e os profissionais Nathalia Magalhães da Silva e Pedro Henrik Meira da Silva, caso revelado por esta coluna em fevereiro. Na ocasião, a história chamou atenção pelos detalhes de uma noite que começou como um trabalho contratado para atender a dupla na Festa do Peão de Americana e terminou em caso de polícia. Nathalia e Pedro chegaram ao evento por volta das 20h02, mas só conseguiram entrar no camarim às 22h35. Pouco depois, segundo o processo, foram retirados do espaço sob a justificativa de que os cantores precisariam se trocar e passaram cerca de quatro horas aguardando em um corredor de serviço, sem água ou alimentação. Quando o show começou, às 2h28, perceberam que não seriam mais chamados para realizar o trabalho para o qual haviam sido contratados.

O episódio ganhou um ingrediente ainda mais inusitado quando os profissionais retornaram ao camarim para pegar seus pertences e encontraram maquiagens e equipamentos revirados, com sinais de utilização. Segundo o relato apresentado no processo, um integrante da equipe informou que a esposa de Jorge havia feito a maquiagem dos dois cantores utilizando justamente os produtos deixados pelos profissionais, sem que Nathalia e Pedro fossem chamados para executar o serviço contratado. A situação piorou quando Nathalia passou a questionar o que havia acontecido e começou a filmar os próprios materiais. De acordo com a acusação, o produtor Willian Pereira Clemente teria atingido o punho da maquiadora com um soco e arrancado o celular de suas mãos, interrompendo a gravação. Ela também afirmou que foi trancada no camarim e impedida de sair, até que a chegada da Polícia Militar colocasse fim à confusão. No dia seguinte, Nathalia realizou exame de corpo de delito, que constatou lesão corporal.

Na ação, os profissionais pediram indenização de R$ 150 mil para Nathalia e R$ 50 mil para Pedro. A defesa apresentada por Willian e pela dupla contestou a versão dos autores, negando o tratamento degradante e a agressão e sustentando que Jorge e Mateus não tiveram contato direto com os profissionais, atribuindo eventual conflito à equipe.

A Justiça, entretanto, reconheceu a ocorrência de tratamento degradante, a utilização indevida dos materiais profissionais e a agressão física comprovada por laudo pericial. Segundo o comunicado dos advogados das vítimas, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve o reconhecimento dos fatos e a responsabilidade solidária dos réus, fazendo apenas um ajuste no valor da reparação. No caso dos cantores, a decisão definitiva não afirma que eles tenham participado diretamente da agressão, mas reconhece que tinham ciência da contratação e da presença dos profissionais no local, respondendo solidariamente pelos atos de sua equipe.

Com o trânsito em julgado, a condenação ficou definitivamente estabelecida e, em valores atualizados, a dupla receberá cerca de R$ 50 mil. Para o advogado dos profissionais, Fernando Figueiredo, "o desfecho confirma que a história foi analisada ao longo de todas as instâncias sob contraditório e ampla defesa, com vídeos, documentos, testemunhas e laudo pericial." Mais do que o dinheiro, o escritório afirma esperar "que a decisão tenha efeito pedagógico sobre a forma como profissionais contratados para trabalhar nos bastidores de grandes eventos são tratados", especialmente quando uma noite de trabalho acaba transformada em uma ocorrência policial e, depois, em uma longa batalha judicial.

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