Edílson Capetinha
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Edílson Capetinha


“Eu poderia ter tirado o título da Ana Paula… Pela inteligência, pela maneira de ser, pelo público que eu já tenho…” A frase de Edílson Capetinha ao GE tem um mérito inegável: ela prova que o tempo não cura apenas feridas; às vezes, ele também altera lembranças. Porque existe uma diferença enorme entre a memória afetiva que cada um constrói sobre si e aquilo que efetivamente aconteceu diante das câmeras. E o BBB registrou tudo. Absolutamente tudo.

A narrativa de que Edílson seria a grande ameaça a Ana Paula Renault esbarra num pequeno detalhe chamado realidade. Nas primeiras semanas, ele era tratado pelo próprio público como uma planta de luxo, alguém que atravessava o programa quase invisível. Quando finalmente conseguiu chamar atenção, não foi por uma estratégia brilhante, por liderança ou por protagonismo. Foi ao chamar um colega de confinamento de “analfabeto”, episódio que transformou um participante apagado em um participante rejeitado. Ou seja: saiu da invisibilidade diretamente para o desgaste. Difícil imaginar que esse roteiro terminaria com um milhão de reais.

Há um fenômeno curioso na fama: quanto mais distante o passado fica, mais generosa ela costuma ser com o próprio protagonista. A lembrança vai aparando derrotas, suavizando fracassos e, em alguns casos, promovendo vice-campeões imaginários. É um mecanismo confortável. Afinal, aceitar que alguém foi apenas um coadjuvante numa história de enorme repercussão exige mais coragem do que criar uma versão em que teria perdido apenas por um detalhe do destino. O problema é que o público também tem memória e, diferentemente da nossa, a dele ainda pode recorrer aos vídeos.

Ana Paula Renault teve adversários, embates memoráveis e personagens que realmente dividiram a atenção do público. Colocar Edílson nesse topo da lista exige um esforço de imaginação que nem o melhor roteirista faria sem rir. Dizer que ele poderia ter vencido a campeã é uma hipótese tão improvável quanto elegante na autoconfiança. Mas, olhando para o que efetivamente aconteceu naquele BBB, talvez Edílson tenha sido o último da fila a ameaçar Ana Paula. E, sendo rigorosamente justo com os fatos, talvez nem esse lugar tenha sido dele.

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