
Álvaro Pereira Jr. prestou um enorme desserviço ao debate público ao ironizar a trajetória acadêmica de Gil do Vigor e chamá-lo de “falso acadêmico”. A crítica é legítima em qualquer democracia. Questionar ideias, pesquisas ou opiniões faz parte do jogo. Mas tentar desqualificar uma trajetória construída com estudo, dedicação e anos de preparação é outro caminho: é abandonar o argumento para apostar no ataque pessoal.
Existe analisar e diminuir. Uma coisa exige conhecimento, reflexão e responsabilidade. A outra apenas busca retirar valor do outro para tentar fortalecer a própria posição. Ao transformar a conquista de Gil em alvo de deboche, Álvaro Pereira Jr. acabou produzindo um efeito contrário: em vez de enfraquecer o economista e pesquisador, evidenciou o quanto algumas pessoas se incomodam quando alguém rompe barreiras e ocupa espaços que antes pareciam inacessíveis.
A atitude chama atenção justamente porque vem de um jornalista experiente, alguém que deveria compreender o peso da palavra pública. A comunicação não pode ser usada como ferramenta de humilhação ou como instrumento para transformar uma conquista legítima em motivo de escárnio. Quando a crítica perde a capacidade de argumentar e passa a buscar apenas a desqualificação, ela deixa de elevar o debate e passa a empobrecê-lo.
Gil do Vigor continuará sendo reconhecido pela sua trajetória acadêmica, pelo seu esforço e pelas conquistas que construiu. Nenhuma ironia apaga anos de estudo e dedicação. Tentar diminuir alguém que venceu não torna ninguém maior, apenas revela a pequenez desse gesto.
