
No rastro do BBB26, Pedro saiu do jogo após assediar Jordana, e o que fica fora da casa é o espetáculo previsível do entorno tentando capitalizar a atenção residual. A ex, agora monitorada por curiosas e curiosos que não a seguem por admiração, mas por bisbilhotagem, decide “iniciar a carreira de influenciadora digital” com direito a nota oficial e assessoria de imprensa, já agradecendo aos 'fãs' pelo carinho, ainda que fãs pressuponham vínculo, identificação, desejo de escuta. Aqui, o que há é vigilância, não afeto; tráfego, não reconhecimento. Confunde-se visibilidade acidental com legitimidade simbólica, como se o holofote, por si só, produzisse conteúdo.
É preciso saber onde a sociedade erra aqui. Onde todos costumamos errar. A distorção é cristalina: o sujeito captura o olhar do Outro e o toma como prova de valor. Lacan já avisava que o desejo do Outro não é sinônimo de amor, muito menos de autoridade. O algoritmo vira espelho narcísico e devolve números inflados que anestesiam a falta. O “sou vista, logo existo” substitui o trabalho de construção do eu por uma encenação apressada. Nasce, assim, a ilusão pontual: ser influenciadora sem ter influenciado nada além da curiosidade alheia: curiosidade esta acionada por um escândalo que não é seu, mas do qual tenta extrair capital agora. Alguns acharam justo, outros desmembraram para a chacota.
A "fama" do ex virou prótese de identidade. Gravidez, ex-namoro, nota oficial, tudo embalado como narrativa de autoridade. Mas influência não é estado civil, nem consequência colateral de um episódio lamentável. Influência pressupõe percurso, ética, linguagem própria. O que se vê é a pressa de ocupar um lugar antes de ter o que dizer, como se a assessoria pudesse suprir o vazio de conteúdo. Daí o deboche das redes: o público fareja quando a vitrine é maior que o produto.
Acho, ainda, que chacota instaurada nas redes sociais não é crueldade gratuita; é reação ao curto-circuito entre desejo e realidade. Entre realidade e ilusão temporária. Criou-se ali a fantasia da grandeza para suprir a angústia de ser apenas observada por acaso. A cultura do print confunde fama com monitoramento, relevância com ruído, influência com eco. Ser intransigente aqui é pedagógico: não há atalho que transforme curiosidade mórbida em autoridade moral. Influenciador não nasce da noite pro dia: nasce do trabalho. O resto é nota oficial tentando dar verniz ao nada.
